A Vida Crucificada

Agora que acho que consegui retomar de alguma forma um ritmo razoável de leituras, me senti chamado para me alimentar espiritualmente. Coisas que o Espírito Santo faz. Tinha muita falta de uma leitura devocional que me inspirasse no dia a dia. Particularmente me achava em um processo bem avançado de secularização, e encomendei “A Vida Crucificada“, de A. W Tozer e “A Cruz de Cristo” de John Stott (ainda estou lendo). Acho que um passo importante para me desligar do secularismo é fazer o que Jeremias escreveu em Lamentações de “trazer à memória aquilo que traz esperança“, penso que a cruz é o que define sua vida cristã. À medida que você percebe a importância da cruz na sua vida, você vai buscar mais autenticidade de Jesus também. Isso explica por que me concentrei nesse assunto nesse momento.



A Vida Crucificada casou perfeitamente com o que eu queria, A. W. Tozer não escreveu esse livro, o livro é uma compilação de suas pregações sobre a vida crucificada, de qualquer forma foi muito bem organizado por Rev. James L. Snyder. Seus capítulos não são tão compridos mas são profundos e produzem a reflexão que precisava para o meu dia a dia. São 16 capítulos organizados em quatro partes:

  • O fundamento da vida crucificada
  • A dinâmica da vida crucificada
  • Os perigos da vida crucificada
  • As bênçãos da vida crucificada

O que esperar de Vida Crucificada

Logicamente você não deve esperar nenhuma idéia absolutamente nova em relação ao que ouvimos em nosso crescimento na igreja, porém você deve esperar por um chamamento àquilo que é fundamental na vida com Cristo, que é viver levando em conta seu sacrifício. A Vida Crucificada é uma vida poderosa e gloriosa, mas deve levar em conta a cruz, que leva ao arrependimento. Por isso, o autor sempre diferencia os crentes que alcançaram a plenitude por se arrependerem e viverem a cruz dos crentes que se contentaram com a mediocridade. Tozer vai te chamar à base do que é importante e te convidar a não se importar com todos os enfeites que temos colocado ultimamente para tornar essa vida cristã mais “acessível”

Tozer via as igrejas evangélicas e fundamentalistas da época vendendo-se para o mundo, assim como as igrejas liberais haviam feito antes delas; e isso o deixava muito perturbado. … Ele se atormentava com o fato de as igrejas evangélicas estarem adotando medidas mundanas para aumentarem a audiência e percebia que muitos líderes estavam usando isso para se autopromoverem.

Era o retrato de uma época do que se pode chamar de “credulidade barata”. Simplificando, a idéia era que, se você dissesse que acreditava em Jesus, tudo mais estaria certo. Você não precisa mudar nada, pois Deus o ama exatamente como é. Esse tipo de mensagem deixava o Dr. Tozer profundamente indignado. E ele dava o seu melhor quando ficava indignado.

Foi por esse motivo que, durante os últimos anos de sua vida, Tozer pregou e escreveu acerca da importância de viver a vida crucificada.

E é particularmente um incômodo que venho sofrendo e que me identifiquei bastante, ele apresenta posições firmes a respeito da igreja e sobre o que é necessário para seguir a Cristo. Neste mundo de internet, idéias firmes são sempre um prato cheio para os sedentos por polêmicas. Entre julgar o que pode ser exagero ou não, para mim o é importante perceber o cerne do que levou a igreja a levar o nome de Cristo até aqui e o que tem sido feito para apagar ou atenuar hoje em dia. Para isso, Tozer sempre recorre frequentemente aos mártires e pais da igreja e fecha todo capítulo com um hino tradicional.

O que a igreja precisa temer é tornar-se aceita na comunidade. Uma igreja aceita pela comunidade mundana jamais é uma igreja cheia do Espírito Santo. Uma igreja que esteja cheia, separada do mundo e andando por Deus, jamais será aceita por alguma comunidade mundana. Ela sempre será considerada excêntrica. Podem estabelecer leis para nos proteger, e a civilização pode ser tal que os cristãos não sejam fisicamente atacados, mas os cristãos crucificados serão considerados um tanto divergentes do que se considera normal


Foi um bom chamamento, viver uma experiência cristã mais profunda, como propôs o livro, obviamente exige algo mais, haja visto que estamos cercado pela superficialidade das citações de memes de redes sociais, o que não leva a nada. O livro fez pensar e recomendo para uma boa auto-avaliação da sua vida com Deus.

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