Quando Jesus entra na cidade

Gostei muito desse desenho, na mesma linha de alguns que utilizei no Advento:

Vamos entrar na cidade com Deus hoje

Vamos cantar hosanna ao nosso Rei

Ao filho de Deus montando em um burro

Com pastores e prostitutas,

Com o cego e o leproso

Com o abandonado e o oprimido

Vamos bradar com alegria na vinda de Cristo

E seguir aquele que acolhe o pecador e come com o marginal

Vamos tocar e ver como Deus se aproxima

Cavalgando em triunfo até a cruz

(por Christine Sine, Godspace)

Subvertendo o Império

Comecei a ter idéia do livro nas indicações que a Amazon.com dava com base no meu perfil o livro sempre aparecia na lista, depois de ler diversas indicações que lia nos livros do Alan Hirsch e Michael Frost achei que o livro seria muito interessante e realmente foi.

Um dos propósitos dos autores era posicionar o livro de Colossenses em nosso contexto, e uma das coisas que me marcou bastante foi a descrição do dia a dia dos colossenses (cidadãos de Colossos, hoje na Turquia) na época, uma sociedade que orbitava ao redor dos interesses do Império Romano à medida que este propositadamente deixava sua marca e influência em todos os momentos possíveis da vida naquela época. Nisso o autor foi bem feliz em comparar aquele momento com o nosso, como lá, as pessoas tinham a imagem de César até na louça de casa lembrando quem tornava aquele conforto possível, hoje vivemos um otimismo quando temos uma tecnologia acessível que nos permite fazer muita coisa que era inimaginável há 20 anos atrás, e temos as marcas onipresentes em nossa casa nos lembrando quem torna esse conforto “possível”.

Mas o interessante era ver o porém de tudo isso, enquanto muita gente curtia esse mundo que caminhava com ordem e progresso, surgiam cristãos que viviam a possibilidade de um outro mundo, enquanto a sociedade caminhava bastante estratificada com cada pessoa ocupando seu lugar seja nobre, seja assalariado, seja escravo. Haviam reuniões onde as pessoas não tinham divisões entre elas, o escravo comia a mesma porção do nobre e todas proclamavam Jesus, e não César como Senhor. Imagine a ousadia destes grupos em tomar estas atitudes nas reuniões, ainda mais quando proclamar Jesus como Senhor poderia custar todo o conforto que podia se ter, senão a própria vida.

Havia uma canção que fazia muito sentido a eles e foi proclamado na carta que Paulo escreveu àquela comunidade:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação

pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra,

as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades;

todas as coisas foram criadas por ele e para ele.

Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste.

Ele é a cabeça do corpo que é a igreja;

é o princípio e o primogênito dentre os mortos,

para que em tudo tenha a supremacia.

Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude,

e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas tanto as que estão na terra

quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz

pelo seu sangue derramado na cruz.”

Imagine a consequência de se proclamar isso tudo em um mundo em que César é o Senhor e que tudo gira em torno dele. Mas será que as consequências são as mesmas para quem proclama Jesus como o Senhor hoje?

E a conclusão dos autores foi que sim, proclamar Jesus como Senhor significa enxergar todo o custo do conforto que adquirimos hoje e trocar toda nossa dependência ao sistema de vida que vivemos hoje pela vida que Cristo propôs, uma vida muito mais simples e com muito mais vida. Quando nos livros do Alan Hirsch comecei a encontrar nas igrejas da mídia um Jesus tão domesticado que só teria o poder de nos fazer a se comprometer com o sistema das igrejas, neste livro pude distinguir o quanto tantas igrejas hoje se comprometem com o Império à medida que formam somente bons cidadãos que sejam bons profissionais, bons pais de família bastante admirados e distintos em sua sociedade ao invés dos grupos realmente selvagens de cristãos que surgiram após a ressurreição de Cristo que ousavam olhar para outras pessoas, dividir o que é seu e viver o mundo que Cristo começou. As implicações dessa vida em comunidade são mais profundas que ir a igreja e participar das festas que ela promove, e aí a música acima começa a fazer bem mais sentido.

O livro Colossians: Remixed me deu muito trabalho quando entrou em algumas discussões filosóficas sobre pós modernidade e achei algumas contextualizações bem forçadas, mesmo assim valeu muito a pena poder refletir a respeito de tudo isso. Com certeza é algo que faz mais sentido viver do que discutir.

Céu e inferno

Cresci em um contexto em que se falava muito sobre o céu na igreja, hoje eu acho que caímos no extremo de não falar quase nada sobre o céu, até tem motivo, pois se achava que a mensagem de Jesus (quando falava sobre o Reino dos Céus) era exclusivamente sobre a vida que teremos após a morte. Por conta disso, o esforço era que se fizesse com que as pessoas orassem a “oração do pecador” arrependendo-se dos seus pecados e aceitando a Jesus como seu salvador pessoal até o leito de morte, parecia que a oração (e é lógico a intenção da pessoa no momento) ligava uma chavezinha no céu que permitia que ele fosse ao céu ao invés do inferno após a morte.

Ultimamente, tenho aprendido a ver esse “Reino dos céus” como um contraponto a todo sistema de valores que vemos no mundo e a oportunidade de viver essa realidade subversiva a partir de já em nossa vida.

Nas últimas semanas, surgiu uma propaganda de um novo livro do Rob Bell “Love Wins” que suscitou muita polêmica, pois tocou na ferida do pensamento: “os da minha igreja vão para o céu, os que não são, vão para o inferno“,  veja que até o título (mal intencionado) sugere que agora, Rob Bell pensa que não há inferno e todos vão para o céu, veja o vídeo, pra variar Rob Bell introduz muitas sacadas interessantes:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=tZouQSdJMdw]

Gosto muito das mensagens desse pastor desde o Nooma, gosto de ouvir suas mensagens na Mars Hill de Michigan, e suas perguntas tem o poder de ecoar muito tempo em nossas mentes, algo que a fé precisa, boas perguntas.

O interessante foi ver todo o alvoroço que isso levantou, por que será que o pessoal fica tão incomodado ao ver uma proposta dessas? Será que o céu é o único chamariz para que as pessoas possam ir a igreja? Será que o céu é o motivo que você vai a igreja?

Tenho uma pergunta que faz toda a diferença nesta questão, e se no final todos fossem ao céu? O que isso muda na sua devoção? Será que você cairia no mundo porque isso não faria a menor diferença no final? É o pensamento do irmão do filho pródigo, viu o irmão sair de casa, ultrajar o pai e na sua volta vê a festa e se revolta, foi fiel ao pai o tempo todo e não pode falar que tem mais alegria que o irmão que fugiu de casa e voltou. Agora, se a ida ao céu tem critérios mais rigorosos, esse tipo de fé te levaria ao céu?

Creio na mensagem de Jesus e que tudo aquilo que ele falou faz sentido hoje, o pecado só faz a vida ser mais miserável, e busco fugir disso, só Jesus para me livrar dessa vida e de mim mesmo, o céu, é a coroação para tudo isso continua sendo minha grande esperança.

Eu creio na Bíblia e no que ela fala do inferno, às vezes a existência do inferno me dá o alívio de que toda a injustiça será exterminada, creio também que tem tanta gente tão cheia de si, que se coloca tão no centro do universo, que não suportaria viver uma eternidade com um Deus que receberá a glória de tudo o tempo todo, o lugar para eles é o inferno, ou será que a presença de Deus explícita será o tormento deles?

Creio também no que Jesus disse, de pessoas que não tem nem idéia do que fizeram, mas serão recebidas por Ele mesmo assim. Por isso, não tenho a menor expectativa de quem não vou encontrar no céu, eu vou ao céu, há muitos que conheço que também vão ao céu, pela vida que vivem e o compromisso que tem em seguir a Jesus, creio por tudo aquilo que Jesus mesmo prometeu na Bíblia, não tenho melhor fonte para isso, busco viver esse céu a partir de agora e busco mostrar o quanto essa vida faz sentido. Mas quanto mais conheço a graça de Deus, menos tenho condições de falar quem não vai ao céu.

Gostei de uma observação do Facebook (Carolina Shaver) “Estou em paz em deixar Deus ser Deus e julgar, quem está certo, quem não está, quem está salvo e quem não está

um ano, outro post: 2010

Acabou 2010, PH dormiu e as meninas estão fora, cheguei a ouvir uma excelente mensagem do Mars Hill e comecei a copiar alguns CDs para meu notebook,e vendo tantas retrospectivas pela blogosfera não resisti em pensar e escrever a minha, tenho muito medo de esquecer alguma coisa relevante e deixar alguém chateado, mas falando rapidamente, começamos esse ano de forma fantástica em Fortaleza, mais propriamente no Beach Park, compramos um ticket para 1 semana e passamos momentos muito legais lá, visitamos também a Igreja Batista Central de Fortaleza o que nos emocionou bastante; depois de Fortaleza, fomos a praia mais duas vezes aproveitando competições de Biathlon e Triathlon, o que adiciona um negócio muito legal, que são as viagens que fazemos com a família para as competições, cheguei a fazer três Triathlons no ano, fora o Biathlon de Fevereiro e até uma maratona aquática que fiz na minha academia, foi bem legal poder competir nestas provas, principalmente o triathlon de São Vicente, era algo que fazia parte de alguns sonhos há um tempo atrás e hoje tenho as fotos e vídeos de como é tudo isso.

Em casa, trabalhamos para eliminar meu escritório e transformá-lo em quarto para Maria Ester, foi uma grande mudança, uma pequena consequência, além disso tive a alegria de festejar meus 40 anos com bastante gente querida e também de festejar os 5 anos do Pedro com seus amigos. Pudemos nos envolver bastante em conhecer melhor os pais da escola dos meus filhos, algo que tem nos feito criar boas raízes no bairro onde moramos.

Tivemos a desagradável perda do Sr. Luiz, pai de minha esposa no final do ano, de tão rápido e inesperado, ainda tentamos pensar no que aconteceu.

Minha participação como guest blogger, rendeu minha participação no livro Viral Hope, o que foi uma enorme honra para mim, pude também participar na revisão de um livro de um colega de São Francisco, fora isso promovi algumas tentativas totalmente fracassadas de juntar um pessoal para momentos de compartilhar e isso resume meu envolvimento missional no ano. Me senti bem desconectado no ano, esse isolamento acabou me lançando em um secularismo terrível. Mas tenho esperança, isso por que Deus não deixa as coisas simplesmente assim, e assim sigo. Cheguei a escrever mais nesse blog esse ano, gostaria de me organizar mais para compartilhar melhor o que tem ocorrido, cheguei a pensar em postar uma foto por dia, mas vamos ver o que será viável.

Desejo que 2011 possamos provar muito mais do que Deus tem nos ensinado. À medida que pudemos ver um crescimento bem grande das redes sociais, espero que aprendamos a tirar proveito desse envolvimento para ações reais nesse mundo que a gente vê dia a dia.

Natal é Natal, Jesus é Jesus

Me chamou a atenção hoje de manhã, uma notícia que saiu no Estadão de hoje:”Decoração de Natal ”esquece” do Menino Jesus” , não é nenhuma surpresa, apenas uma constatação de um fortalecimento da cultura secular de um tempo para cá. É uma notícia chocante, mas não acho ruim.

Acho chocante porque de uma certa forma é uma rejeição a Jesus, embora grande parte dessa rejeição seja, na verdade, uma rejeição a agenda da igreja cristã dominante. Muita gente ainda considera muito a pessoa de Jesus, embora não seja para adorá-lo, nem seguí-lo, mesmo assim, Jesus só é rejeitado, quando se toma a imagem que a igreja tem feito dele, desse Jesus, as pessoas não querem saber. Agora, a rejeição a Jesus existe desde que ele começou a pregar, não é necessário que ninguém o defenda, nem saia sacrificando Papais Noéis como já cheguei a ver.

Não acho ruim, o Natal de 2010 é só a consolidação de um movimento secular que vem caminhando firme há muito tempo e vai se fortalecer ainda mais. O mundo que a gente conhece hoje vai buscar paz, justiça e prosperidade sem o Deus que a gente conhece e vai se virar dessa forma independente de sabermos se ele vai conseguir isso ou não.

A celebração de Jesus no Natal vai ser cada vez mais particularidade daqueles que o seguem, isso não é o tipo de coisa que deve ser imposta, (a nós mesmos, a sociedade quer impor padrões estranhos ao que cremos e temos sentido que ter valores impostos não é nada agradável) chegou o momento que a presença de Jesus no Natal será manifesta de forma intencional, simples, mas poderosa nos grupos que convivem com Sua presença.

Então, não adianta reclamar que o Natal é consumo e não há nada de Jesus, virou consumo mesmo, o hoje a noite, muitas famílias vão celebrar a chegada do primeiro Apple com seu IPad e a oportunidade de estampar a chegada da maçãzinha em seu carro, varias outras vão servir comida que não da para comer em uma refeição só, a refeição continua até domingo ou segunda. Agora, a chegada de Jesus no Natal depende da decisão que você tomar para sua família de celebrar hoje mas também de viver essa realidade todos os dias.

Ainda bem que ganhei no meu aniversário, um DVD do Charlie Brown que tem o “Natal do Charlie Brown”, espero assistir essa tarde e começar essa celebração.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=dsSZys1pVbA]

Feliz Natal com a presença de Jesus em sua casa!

UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007  e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

Movimentos inspiradores

Gostaria de compartilhar o que tem me chamado a atenção ultimamente:

O JR Woodward é um dos blogueiros mais consistentes que conheço, é uma fonte de citações bem presente nesse blog, mantém um conteúdo com grande qualidade e é extremamente  organizado em sua comunicação. Essa semana, ele começou uma jornada de nove meses seguindo os exercícios espirituais de Inácio de Loyola, fundador do grupo dos jesuítas.

O que eu gosto de Santo Inácio e seus exercícios é o foco é sua intimidade com Cristo – estar com Ele, ser igual a Ele e viver com Ele. Esta relacionado a encontrar Deus em todas as coisas, estar mais em contato com meu coração. Para a Espiritualidade Inaciana, discernimento é encontrado a medida que alguém cresce no conhecimento de Deus e conhecimento interior. Então os exercícios nos ajudam a estar mais sintonizados com o que está acontecendo nos nossos mundos interiores e exteriores e está relacionado a andar com Deus.

À medida que consegui conviver com uma disciplina sustentável de condicionamento físico, tenho entendido muito mais quando se fala que crescer espiritualmente envolve também disciplina. Uma coisa que o felicitei nesse caso é encontrar amigos corajosos com quem ele vai dividir essa jornada, é algo que falei para ele agradecer a Deus, ainda mais, pois essa disposição envolve não somente estar preparado para sair do comum no que se refere a espiritualidade que já estão acostumados, mas a surpresas e mudanças interiores que eles provavelmente experimentarão pela frente. Como já falei várias vezes, o Cristianismo não se vive só, envolve companhia e companhia disposta a aventuras, algo muito presente em minhas orações.

Mark Scandrette é outra pessoa que tive a bênção de conhecer pessoalmente assim como o ReImagine, além disso, tive a bênção de revisar manuscritos de seu próximo livro a respeito praticar o caminho de Jesus, algo que o ReImagine, de São Francisco, faz desde seu início, eles fazem “laboratórios” em que exploram pontos básicos que encontraram nas palavras de Jesus, como obediência, serviço, comunidade, simplicidade, oração, criatividade e amor. Isso envolve mudar seu ritmo de vida e moldá-lo a um ritmo comum. Há duas semanas, eles começaram um experimento chamado “Play“(brincadeira) onde são desafiados a experimentar a liberdade de olhar o mundo como crianças, conforme Jesus falou.

Já ouvi muito que a Escola Dominical era uma escola em que ninguém se formava, todos estavam continuamente aprendendo, embora muito do que aprendi devo a esses encontros, vi no movimento do ReImagine, a prática tão necessária que muita gente pensa em como seria, mas chegar esse ponto exige sair totalmente da caixa, um risco que dificilmente um movimento institucionalizado se disponha a tomar, algo mais próximo a um grupo mais livre e realmente disposto a experimentar o que é a vida abundante que Jesus falou que teríamos.

Pai Nosso (por Dallas Willard)

Encontrei essa paráfrase no blog do JR Woodward, achei riquíssimo (tradução minha):

Querido Pai sempre próximo a nós,

Que seu nome seja sempre honrado e amado

Que suas leis sejam completas em nós,

Que sua vontade seja feita aqui na terra

bem na forma como é feita no céu.

Dá-nos hoje, o que precisamos hoje,

e perdoa nossos pecados e imposições a ti

enquanto nós perdoamos todos aqueles que de alguma forma nos ofenderam.

Por favor, não nos coloque em testes,

mas nos livre de qualquer mal,

Porque Tu és quem está no comando,

e Tu tens todo o poder, e a glória também é Tua para sempre

bem da forma que queremos.

Só para esclarecer, paráfrases são traduções livres e contemporâneas de escritos e mensagens antigas, quando vem de estudiosos importantes como Dallas Willard, são muito benvindas.

Decisões e a Sabedoria

Engraçado, veja em que mundo vivemos, enquanto temos centenas de pequenas igrejas impactando de forma muito legal suas comunidades, aparece uma igrejinha com um líder muito idiota e, por causa de um ato estúpido, acaba tomando a atenção do MUNDO INTEIRO!!! Com esses acontecimentos, mais algumas decisões que tive que tomar e algumas conversas com minha sábia esposa, gostaria de compartilhar alguns insights que tive disso tudo:

Infelizmente a estupidez chama muito a atenção, o interessante é quando coisas que fazemos de forma tão natural podem de um momento para o outro ser afetados por circunstâncias que trazem um risco enorme daquilo ser interpretado como estupidez, já experimentou uma situação dessa? É aí que entra a sabedoria. Tenho aprendido que a sabedoria não é somente saber a decisão que se deve tomar, mas também exercer a força de caráter para bancar os custos dessa decisão, ser humilde e dar um passo atrás. Lógico! Se decisões sábias não tivessem custo, com certeza não teríamos tanta estupidez chamando a atenção.

Em circunstâncias como essas, vemos na Bíblia que se fazemos coisas que podem afetar a forma como as pessoas podem interpretar a verdade que as pessoas vêem em nós, temos que buscar olhar o mundo na lente delas e agir por amor a elas. Qualquer cristão que vive junto com outras pessoas tem que saber disso.

A impressão é de que esse amor que Cristo ensina não nos faz tão livres assim, de fato não podemos mais fazer tudo que queremos (e é aí que mora a tirania, precisamos nos satisfazer com tudo o que queremos?) tanto quanto não pude comer todo chocolate que quis ontem! No entanto, quando vivemos em comunidade, esse amor nos dá a oportunidade de não fazer o que achamos até de nosso direito para exercer maturidade com atos responsáveis. Renunciar a alguns direitos nos dão até peso no coração, muitas decisões sábias trazem custo, mas a satisfação de fazer a coisa certa e estar “na mesma página” da vontade de Deus é também bem grande.

ReImaginando a vida

Depois de um longo inverno, estou finalmente aqui sentado em casa com uma tarde de sábado totalmente livre, que bênção, depois de vários sábados agitados com muita coisa legal, ter um sábado para ficar em casa, ler e depois meditar bastante. Isso é de uma importância sem igual.

Resolvi continuar a leitura do livro de Brian Walsh e Sylvia Keesmaat sobre Colossenses (link ao lado) e me deparei sobre um termo que já vi muito e achei uma boa hora para refletir mais sobre isso, nossa imaginação, isto é, quando pensamos a vida, quais elementos encontramos? Infelizmente, à medida que somos assediados a todo instante por propagandas na TV, banners dos sites, 99% dos e-mails que chegam a você (estou começando a achar que o e-mail pessoal chegou ao fim), jingles nas rádios, cartazes na rua e até propaganda de igrejas, passamos a pensar que a vida é isso: o que nos separa da felicidade é R$ 20.000 a mais de salário no mês.

O interessante é pensar que quando Jesus chegou e começou a falar às pessoas ao seu redor, começou falando do “Reino dos céus”, ou “O mundo como Deus pensou”, isto é, começou a traçar um ambiente em que as regras são diferentes que as regras desse mundo tão competitivo e consumista que vivemos, dessa forma, quando ouvimos que Cristo é tudo que precisamos, não parece ser algo tão viajante assim. E essa é nossa missão, ReImaginar nossa vida, ReImaginar nosso mundo, limpar nossa imaginação de toda essa sujeira que nos assedia a cada momento que vem acompanhado com uma tremenda ansiedade por não ter o que se vende e viver a possibilidade dessa vida que Jesus nos convida a viver. Como ela seria? Como seria uma vida em que você não precisasse defender sua reputação com as marcas que você usa, com sua agenda super-lotada, ou com os cargos que você tem ou sonha acrescentar abaixo no seu cartão de visita? Como seria uma vida em que você pudesse assumir suas fraquezas (ao invés de escondê-las) e deixar que outros o ajudem com elas? Como seria uma vida em que você pudesse acolher outras pessoas sem desconfiança e conspirar com elas para fazer aquilo que Deus realmente sonha?