Céu e inferno

Cresci em um contexto em que se falava muito sobre o céu na igreja, hoje eu acho que caímos no extremo de não falar quase nada sobre o céu, até tem motivo, pois se achava que a mensagem de Jesus (quando falava sobre o Reino dos Céus) era exclusivamente sobre a vida que teremos após a morte. Por conta disso, o esforço era que se fizesse com que as pessoas orassem a “oração do pecador” arrependendo-se dos seus pecados e aceitando a Jesus como seu salvador pessoal até o leito de morte, parecia que a oração (e é lógico a intenção da pessoa no momento) ligava uma chavezinha no céu que permitia que ele fosse ao céu ao invés do inferno após a morte.

Ultimamente, tenho aprendido a ver esse “Reino dos céus” como um contraponto a todo sistema de valores que vemos no mundo e a oportunidade de viver essa realidade subversiva a partir de já em nossa vida.

Nas últimas semanas, surgiu uma propaganda de um novo livro do Rob Bell “Love Wins” que suscitou muita polêmica, pois tocou na ferida do pensamento: “os da minha igreja vão para o céu, os que não são, vão para o inferno“,  veja que até o título (mal intencionado) sugere que agora, Rob Bell pensa que não há inferno e todos vão para o céu, veja o vídeo, pra variar Rob Bell introduz muitas sacadas interessantes:

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Gosto muito das mensagens desse pastor desde o Nooma, gosto de ouvir suas mensagens na Mars Hill de Michigan, e suas perguntas tem o poder de ecoar muito tempo em nossas mentes, algo que a fé precisa, boas perguntas.

O interessante foi ver todo o alvoroço que isso levantou, por que será que o pessoal fica tão incomodado ao ver uma proposta dessas? Será que o céu é o único chamariz para que as pessoas possam ir a igreja? Será que o céu é o motivo que você vai a igreja?

Tenho uma pergunta que faz toda a diferença nesta questão, e se no final todos fossem ao céu? O que isso muda na sua devoção? Será que você cairia no mundo porque isso não faria a menor diferença no final? É o pensamento do irmão do filho pródigo, viu o irmão sair de casa, ultrajar o pai e na sua volta vê a festa e se revolta, foi fiel ao pai o tempo todo e não pode falar que tem mais alegria que o irmão que fugiu de casa e voltou. Agora, se a ida ao céu tem critérios mais rigorosos, esse tipo de fé te levaria ao céu?

Creio na mensagem de Jesus e que tudo aquilo que ele falou faz sentido hoje, o pecado só faz a vida ser mais miserável, e busco fugir disso, só Jesus para me livrar dessa vida e de mim mesmo, o céu, é a coroação para tudo isso continua sendo minha grande esperança.

Eu creio na Bíblia e no que ela fala do inferno, às vezes a existência do inferno me dá o alívio de que toda a injustiça será exterminada, creio também que tem tanta gente tão cheia de si, que se coloca tão no centro do universo, que não suportaria viver uma eternidade com um Deus que receberá a glória de tudo o tempo todo, o lugar para eles é o inferno, ou será que a presença de Deus explícita será o tormento deles?

Creio também no que Jesus disse, de pessoas que não tem nem idéia do que fizeram, mas serão recebidas por Ele mesmo assim. Por isso, não tenho a menor expectativa de quem não vou encontrar no céu, eu vou ao céu, há muitos que conheço que também vão ao céu, pela vida que vivem e o compromisso que tem em seguir a Jesus, creio por tudo aquilo que Jesus mesmo prometeu na Bíblia, não tenho melhor fonte para isso, busco viver esse céu a partir de agora e busco mostrar o quanto essa vida faz sentido. Mas quanto mais conheço a graça de Deus, menos tenho condições de falar quem não vai ao céu.

Gostei de uma observação do Facebook (Carolina Shaver) “Estou em paz em deixar Deus ser Deus e julgar, quem está certo, quem não está, quem está salvo e quem não está

Natal é Natal, Jesus é Jesus

Me chamou a atenção hoje de manhã, uma notícia que saiu no Estadão de hoje:”Decoração de Natal ”esquece” do Menino Jesus” , não é nenhuma surpresa, apenas uma constatação de um fortalecimento da cultura secular de um tempo para cá. É uma notícia chocante, mas não acho ruim.

Acho chocante porque de uma certa forma é uma rejeição a Jesus, embora grande parte dessa rejeição seja, na verdade, uma rejeição a agenda da igreja cristã dominante. Muita gente ainda considera muito a pessoa de Jesus, embora não seja para adorá-lo, nem seguí-lo, mesmo assim, Jesus só é rejeitado, quando se toma a imagem que a igreja tem feito dele, desse Jesus, as pessoas não querem saber. Agora, a rejeição a Jesus existe desde que ele começou a pregar, não é necessário que ninguém o defenda, nem saia sacrificando Papais Noéis como já cheguei a ver.

Não acho ruim, o Natal de 2010 é só a consolidação de um movimento secular que vem caminhando firme há muito tempo e vai se fortalecer ainda mais. O mundo que a gente conhece hoje vai buscar paz, justiça e prosperidade sem o Deus que a gente conhece e vai se virar dessa forma independente de sabermos se ele vai conseguir isso ou não.

A celebração de Jesus no Natal vai ser cada vez mais particularidade daqueles que o seguem, isso não é o tipo de coisa que deve ser imposta, (a nós mesmos, a sociedade quer impor padrões estranhos ao que cremos e temos sentido que ter valores impostos não é nada agradável) chegou o momento que a presença de Jesus no Natal será manifesta de forma intencional, simples, mas poderosa nos grupos que convivem com Sua presença.

Então, não adianta reclamar que o Natal é consumo e não há nada de Jesus, virou consumo mesmo, o hoje a noite, muitas famílias vão celebrar a chegada do primeiro Apple com seu IPad e a oportunidade de estampar a chegada da maçãzinha em seu carro, varias outras vão servir comida que não da para comer em uma refeição só, a refeição continua até domingo ou segunda. Agora, a chegada de Jesus no Natal depende da decisão que você tomar para sua família de celebrar hoje mas também de viver essa realidade todos os dias.

Ainda bem que ganhei no meu aniversário, um DVD do Charlie Brown que tem o “Natal do Charlie Brown”, espero assistir essa tarde e começar essa celebração.

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Feliz Natal com a presença de Jesus em sua casa!

UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007  e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

Movimentos inspiradores

Gostaria de compartilhar o que tem me chamado a atenção ultimamente:

O JR Woodward é um dos blogueiros mais consistentes que conheço, é uma fonte de citações bem presente nesse blog, mantém um conteúdo com grande qualidade e é extremamente  organizado em sua comunicação. Essa semana, ele começou uma jornada de nove meses seguindo os exercícios espirituais de Inácio de Loyola, fundador do grupo dos jesuítas.

O que eu gosto de Santo Inácio e seus exercícios é o foco é sua intimidade com Cristo – estar com Ele, ser igual a Ele e viver com Ele. Esta relacionado a encontrar Deus em todas as coisas, estar mais em contato com meu coração. Para a Espiritualidade Inaciana, discernimento é encontrado a medida que alguém cresce no conhecimento de Deus e conhecimento interior. Então os exercícios nos ajudam a estar mais sintonizados com o que está acontecendo nos nossos mundos interiores e exteriores e está relacionado a andar com Deus.

À medida que consegui conviver com uma disciplina sustentável de condicionamento físico, tenho entendido muito mais quando se fala que crescer espiritualmente envolve também disciplina. Uma coisa que o felicitei nesse caso é encontrar amigos corajosos com quem ele vai dividir essa jornada, é algo que falei para ele agradecer a Deus, ainda mais, pois essa disposição envolve não somente estar preparado para sair do comum no que se refere a espiritualidade que já estão acostumados, mas a surpresas e mudanças interiores que eles provavelmente experimentarão pela frente. Como já falei várias vezes, o Cristianismo não se vive só, envolve companhia e companhia disposta a aventuras, algo muito presente em minhas orações.

Mark Scandrette é outra pessoa que tive a bênção de conhecer pessoalmente assim como o ReImagine, além disso, tive a bênção de revisar manuscritos de seu próximo livro a respeito praticar o caminho de Jesus, algo que o ReImagine, de São Francisco, faz desde seu início, eles fazem “laboratórios” em que exploram pontos básicos que encontraram nas palavras de Jesus, como obediência, serviço, comunidade, simplicidade, oração, criatividade e amor. Isso envolve mudar seu ritmo de vida e moldá-lo a um ritmo comum. Há duas semanas, eles começaram um experimento chamado “Play“(brincadeira) onde são desafiados a experimentar a liberdade de olhar o mundo como crianças, conforme Jesus falou.

Já ouvi muito que a Escola Dominical era uma escola em que ninguém se formava, todos estavam continuamente aprendendo, embora muito do que aprendi devo a esses encontros, vi no movimento do ReImagine, a prática tão necessária que muita gente pensa em como seria, mas chegar esse ponto exige sair totalmente da caixa, um risco que dificilmente um movimento institucionalizado se disponha a tomar, algo mais próximo a um grupo mais livre e realmente disposto a experimentar o que é a vida abundante que Jesus falou que teríamos.

Por que ainda falo da Igreja

Uma citação que gostei muito hoje que encontrei no blog do JR Woodward (The Role of the Church):

O papel da igreja é cultivar gente que ‘arrisca a ser pacificador em um mundo violento, arrisca ser gentil em um mundo tão competitivo, arrisca a ter fé em um mundo cético, arrisca a ser manso em um meio que admira a força, arrisca amar quando não poderá ser correspondido, porque estou certo que em Cristo nós somos renascidos para uma nova realidadeJohn Howard Yoder

E aí você fala, é realmente difícil encontrar igreja assim, muito difícil, em geral as igrejas cultivaram tantos interesses que acabaram perdendo essa essência, mas é essa esperança que me faz pensar constantemente nisso, desejar essa realidade para minha casa e meus amigos e tentar. Sigo caminhando nessa esperança.

Fechei o banco

Em novembro de 2008, no começo desse blog versão WordPress, estava anunciando o Banco de Agitos, era um site para depositar idéias para o trabalho com jovens e discutir esse ministério tão sensível e importante, pois é, fechei ele!

Estava se aproximando o pagamento da anuidade, e pelo andar do site, não estava compensando pagar uma grana para mais um ano do mesmo. O site evidenciava duas realidades bem gritantes: primeira, tem muita gente entrando para trabalhar com sua turma de jovens sem ter a menor idéia do que fazer com eles, e quando entram à medida que vêem o ânimo do pessoal indo por água abaixo, vão em busca do que vier para salvar o trabalho do ano, como falei da outra vez, é até constrangedor ver tanta gente desesperada em tentar alcançar sua turma e sem tanto amparo sério e consciente da liderança da igreja.

Só que me pareceu que o pessoal só estava a fim de consultar para ver o que tinha de novo, embora tivesse colocado formas de participação, para agregar mais idéias, ninguém se dispôs a ajudar nisso, o fórum permaneceu intocado e me pareceu que não compensa manter essa estrutura toda para esse perfil. Enquanto não tiver um pessoal me ajudando nisso e outras coisas não terei condições de manter algo assim, o domínio continua meu e os arquivos continuam no backup, quem sabe mais tarde.

Causa e consequência

Lembro quando houve o desmoronamento das obras da linha amarela do metrô, houve uma ameaça ao prédio da Editora Abril, o Pavarini postou uma conversa de dois babacas da Renascer em um chat imaginando que isso teria acontecido por causa das reportagens sobre a igreja na Veja. É um tipo de comportamento que foi assumido sem a menor vergonha nesse contexto, qualquer macumbeiro que morria era resultado de alguma vigília de oração, uma certa espiritualidade de video game. Tudo para mostrar para os crentes da igreja que estavam do “lado certo” dessa batalha espiritual. Foi o que senti quando vi a comunicação do líder da Renascer no próprio domingo, quando falou que “Deus teria um propósito para tudo isso”, parece aquelas frases óbvias quando um casal é flagrado pelo marido traído: “Não é o que você está pensando, eu posso explicar tudo isso“.

Esse afã em se provar a igreja que ainda se está no controle da situação e mostrar que Deus está do lado deles ainda me entristece. Jogar a responsabilidade para o mistério de Deus é muita esperteza. Há um porque para tudo isso, acidentes como esses não tem causa no” mundo espiritual”, mas no nosso mundo mesmo. Mas infelizmente as mentes mais espertas vão pensar em uma saída “espiritual” que mais uma vez vão livrar os responsáveis como já livraram do caso dos cinquenta e tantos mil dólares em espécie que entraram ilegalmente nos EUA. Coisas que chegam até a ser capazes de se esquecer das 10 vítmas que ocorreram e colocar o casal dono da igreja mais uma vez como a maior vítma, essa religião é realmente um ópio que dá um grande barato.