Sábado: a resistência

A primeira discussão que vi sobre sábado, foi quando soube que haviam denominações cristãs que faziam seus cultos no sábado, ao longo do tempo, fui descobrindo o quanto esse pessoal fazia questão de ir a igreja de sábado e o quanto isso era realmente importante a eles, conheci gente que não podia comprar nada nesse dia. Daí, como presbiteriano, vi alguns estudos e algumas quartas de estudo bíblico em que os pastores dedicaram tempo para esclarecer porque íamos a igreja no domingo e não no sábado. Daí pra frente fui acompanhando o tema como Fla-Flu, havia alguns que iam ao sábado como marca do crente verdadeiro, e havia nós, que íamos a igreja aos domingos e não precisávamos nos sentir pecadores porque tínhamos bons motivos (bíblicos) que nos liberavam do culto a noite do sábado.
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Para inspiração: “You are an IronMan”

Estava buscando alguma coisa para ler, na verdade estava querendo alguma ficção tão boa quanto “A visita cruel do tempo” até que resolvi unir ao momento meu e baixei este livro no meu Kindle, que não é ficção mas conta histórias inspiradoras de 6 triatletas desde sua inscrição a IronMan Arizona de 2009 até a prova. Ainda estou no começo, mas foi interessante me identificar com o início de trajetória deles, a maioria deles acima de 40 anos no seu primeiro IronMan. Para todos, a inscrição em si não foi coisa fácil, a eles também despender US$ 550 para uma prova exige um passo bem dado e negociação com a família, pois a maioria liberou esse dinheiro que provavelmente iria para alguma outra coisa e as histórias vão.

A visita cruel do tempo

Uma vez assisti a um episódio do Extreme Makeover – home edition que não esqueci mais, era um casal que enfrentou problemas de bullying com o filho e resolveram se mudar para uma fazenda fora da cidade, a vida na fazenda não ia nada bem e eles quase faliram até que eles foram escolhidos pela produção. Os pais se conheceram ainda na escola, o pai era jogador do time de futebol americano da escola e a mãe era, tipo, a cheerleader, eles formavam um belo casal. O que mais me intrigou desde então era isso: em um momento eles formavam o casal bonitinho da escola e em outro estavam à beira da falência com dificuldades com os filhos, o tipo de coisa que me dá vontade de falar aos adolescentes, se um dia voltar a falar a eles: que tipo de padrão nos levam a escolher a pessoa com quem passaremos a vida, na hora que você está apaixonado colando a foto um do outro no espelho do quarto, o que você menos pensa é na capacidade que vocês terão em resolver problemas financeiros ou de comportamento dos filhos no futuro, mas uma coisa ainda vai levar a outra. Maluco não é?

O tempo passa, e à medida que contamos os principais fatos da nossa vida em tempos de 10, 20 anos, é divertido e interessante ver as diversas voltas que a vida dá, por isso que Davi registra uma oração a Deus a esse respeito em seus salmos:

Ensina-nos a contar os nossos dias de forma que alcancemos corações sábios

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Li um livro no começo desse ano que me deu essa mesma sensação do tempo, “A visita cruel do tempo”, havia tempo não pegava uma ficção e aceitei a recomendação do pessoal do “Fim de expediente”, gostei demais do livro. Jennifer Egan foi extremamente hábil em mesclar as histórias em momentos diferentes, nos personagens contando suas histórias no seu próprio estilo e nos fazendo surpreender com os destinos que seus personagens davam no desenrolar das histórias. Em um momento, você lê uma narrativa normal falando de uma mulher cleptomaníaca, e em outro, você lê powerpoints de uma menina que poderia ser sua filha e em outro um cara fazendo a dissertação de suas aventuras amorosas, se contar mais, esse texto vai virar spoiler, mas me fez refletir muito nas voltas que a vida dá. Como a versão que li era em inglês, chegava a me perder um pouco, mas não deixei de me divertir com esta forma de narrativa. Recomendo.

Subvertendo o Império

Comecei a ter idéia do livro nas indicações que a Amazon.com dava com base no meu perfil o livro sempre aparecia na lista, depois de ler diversas indicações que lia nos livros do Alan Hirsch e Michael Frost achei que o livro seria muito interessante e realmente foi.

Um dos propósitos dos autores era posicionar o livro de Colossenses em nosso contexto, e uma das coisas que me marcou bastante foi a descrição do dia a dia dos colossenses (cidadãos de Colossos, hoje na Turquia) na época, uma sociedade que orbitava ao redor dos interesses do Império Romano à medida que este propositadamente deixava sua marca e influência em todos os momentos possíveis da vida naquela época. Nisso o autor foi bem feliz em comparar aquele momento com o nosso, como lá, as pessoas tinham a imagem de César até na louça de casa lembrando quem tornava aquele conforto possível, hoje vivemos um otimismo quando temos uma tecnologia acessível que nos permite fazer muita coisa que era inimaginável há 20 anos atrás, e temos as marcas onipresentes em nossa casa nos lembrando quem torna esse conforto “possível”.

Mas o interessante era ver o porém de tudo isso, enquanto muita gente curtia esse mundo que caminhava com ordem e progresso, surgiam cristãos que viviam a possibilidade de um outro mundo, enquanto a sociedade caminhava bastante estratificada com cada pessoa ocupando seu lugar seja nobre, seja assalariado, seja escravo. Haviam reuniões onde as pessoas não tinham divisões entre elas, o escravo comia a mesma porção do nobre e todas proclamavam Jesus, e não César como Senhor. Imagine a ousadia destes grupos em tomar estas atitudes nas reuniões, ainda mais quando proclamar Jesus como Senhor poderia custar todo o conforto que podia se ter, senão a própria vida.

Havia uma canção que fazia muito sentido a eles e foi proclamado na carta que Paulo escreveu àquela comunidade:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação

pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra,

as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades;

todas as coisas foram criadas por ele e para ele.

Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste.

Ele é a cabeça do corpo que é a igreja;

é o princípio e o primogênito dentre os mortos,

para que em tudo tenha a supremacia.

Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude,

e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas tanto as que estão na terra

quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz

pelo seu sangue derramado na cruz.”

Imagine a consequência de se proclamar isso tudo em um mundo em que César é o Senhor e que tudo gira em torno dele. Mas será que as consequências são as mesmas para quem proclama Jesus como o Senhor hoje?

E a conclusão dos autores foi que sim, proclamar Jesus como Senhor significa enxergar todo o custo do conforto que adquirimos hoje e trocar toda nossa dependência ao sistema de vida que vivemos hoje pela vida que Cristo propôs, uma vida muito mais simples e com muito mais vida. Quando nos livros do Alan Hirsch comecei a encontrar nas igrejas da mídia um Jesus tão domesticado que só teria o poder de nos fazer a se comprometer com o sistema das igrejas, neste livro pude distinguir o quanto tantas igrejas hoje se comprometem com o Império à medida que formam somente bons cidadãos que sejam bons profissionais, bons pais de família bastante admirados e distintos em sua sociedade ao invés dos grupos realmente selvagens de cristãos que surgiram após a ressurreição de Cristo que ousavam olhar para outras pessoas, dividir o que é seu e viver o mundo que Cristo começou. As implicações dessa vida em comunidade são mais profundas que ir a igreja e participar das festas que ela promove, e aí a música acima começa a fazer bem mais sentido.

O livro Colossians: Remixed me deu muito trabalho quando entrou em algumas discussões filosóficas sobre pós modernidade e achei algumas contextualizações bem forçadas, mesmo assim valeu muito a pena poder refletir a respeito de tudo isso. Com certeza é algo que faz mais sentido viver do que discutir.

Esperança Viral

Como já compartilhei aqui, ano passado, fui convidado pelo JR Woodward, de Los Angeles,  a compartilhar boas notícias do Reino de Deus às pessoas da minha cidade. Foi, no geral, um trabalho fantástico, que envolveu pessoas de várias partes do mundo compartilhando vários pontos de vista a respeito do Reino de Deus.

Esse trabalho foi compilado em um livro, seu nome é Viral Hope e já foi disponibilizado a venda na Amazon e em outras livrarias americanas.

O livro foi muito bem coordenado pelo JR Woodward, e foi prefaciado por Scott McKnight, com recomendações de Andrew Jones, Alan Hirsch e Alan Roxburgh entre outros e reflexões de David Fitch, Christine Sine, Jason Clark entre vários outros além da minha pequena participação, fazer parte de uma equipe destas foi uma grande honra.