A Vida Crucificada

Agora que acho que consegui retomar de alguma forma um ritmo razoável de leituras, me senti chamado para me alimentar espiritualmente. Coisas que o Espírito Santo faz. Tinha muita falta de uma leitura devocional que me inspirasse no dia a dia. Particularmente me achava em um processo bem avançado de secularização, e encomendei “A Vida Crucificada“, de A. W Tozer e “A Cruz de Cristo” de John Stott (ainda estou lendo). Acho que um passo importante para me desligar do secularismo é fazer o que Jeremias escreveu em Lamentações de “trazer à memória aquilo que traz esperança“, penso que a cruz é o que define sua vida cristã. À medida que você percebe a importância da cruz na sua vida, você vai buscar mais autenticidade de Jesus também. Isso explica por que me concentrei nesse assunto nesse momento.


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A visita cruel do tempo

Uma vez assisti a um episódio do Extreme Makeover – home edition que não esqueci mais, era um casal que enfrentou problemas de bullying com o filho e resolveram se mudar para uma fazenda fora da cidade, a vida na fazenda não ia nada bem e eles quase faliram até que eles foram escolhidos pela produção. Os pais se conheceram ainda na escola, o pai era jogador do time de futebol americano da escola e a mãe era, tipo, a cheerleader, eles formavam um belo casal. O que mais me intrigou desde então era isso: em um momento eles formavam o casal bonitinho da escola e em outro estavam à beira da falência com dificuldades com os filhos, o tipo de coisa que me dá vontade de falar aos adolescentes, se um dia voltar a falar a eles: que tipo de padrão nos levam a escolher a pessoa com quem passaremos a vida, na hora que você está apaixonado colando a foto um do outro no espelho do quarto, o que você menos pensa é na capacidade que vocês terão em resolver problemas financeiros ou de comportamento dos filhos no futuro, mas uma coisa ainda vai levar a outra. Maluco não é?

O tempo passa, e à medida que contamos os principais fatos da nossa vida em tempos de 10, 20 anos, é divertido e interessante ver as diversas voltas que a vida dá, por isso que Davi registra uma oração a Deus a esse respeito em seus salmos:

Ensina-nos a contar os nossos dias de forma que alcancemos corações sábios

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Li um livro no começo desse ano que me deu essa mesma sensação do tempo, “A visita cruel do tempo”, havia tempo não pegava uma ficção e aceitei a recomendação do pessoal do “Fim de expediente”, gostei demais do livro. Jennifer Egan foi extremamente hábil em mesclar as histórias em momentos diferentes, nos personagens contando suas histórias no seu próprio estilo e nos fazendo surpreender com os destinos que seus personagens davam no desenrolar das histórias. Em um momento, você lê uma narrativa normal falando de uma mulher cleptomaníaca, e em outro, você lê powerpoints de uma menina que poderia ser sua filha e em outro um cara fazendo a dissertação de suas aventuras amorosas, se contar mais, esse texto vai virar spoiler, mas me fez refletir muito nas voltas que a vida dá. Como a versão que li era em inglês, chegava a me perder um pouco, mas não deixei de me divertir com esta forma de narrativa. Recomendo.

WALL-E

Na última sexta-feira pude assistir o WALL-E, na verdade estava com um pouco de medo de assistir o filme, a idéia de um robô sozinho limpando um planeta totalmente abandonado me incomodava bastante, mas à medida que vi alguns bons comentários e pude vê-lo disponível no PPV já abri o canal para a criançada assistir, e eu também por tabela. Pelo que tenho visto com minha esposa, os filmes da Pixar são divertidos para a criançada mas ainda tem mais profundidade do que os filmes da Dreamworks, e acho que este trouxe lições bem interessantes para quem pode vê-lo com outros olhos.

Pra começar, o filme começa com uma ironia fantástica! A imagem de uma terra totalmente devastada e cheia de lixo com uma musiquinha bem animada, foi uma tirada excelente, triste mas muito boa! A premissa que eu entendi é que o mundo abandonou a terra há uns 700 anos para desfrutar dias melhores em outro lugar enquanto o planeta era recuperado. A idéia de abandonar a terra não é nova, toda a exploração que se fez foi numa premissa de que alguém iria encontrar uma saída no futuro foi uma tentativa, só que o futuro já chegou e o que descobrimos é que não há muita saída. A igreja mesmo chegou a abandonar a terra, nesse pensamento de que Jesus voltará logo, muitos partiram para a indiferença frente aos apelos de conservação do planeta esquecendo totalmente nosso papel de jardineiros. Recentemente, tenho visto algumas propostas mais novas que associam nossa fé ao cuidado com nosso planeta, no geral, perdemos muito tempo, mas o que importa é olharmos para frente e nos engajarmos em amar a criação e nos engajar em seu cuidado.

Outra coisa que me chamou bastante a atenção foi o esquema de vida que o pessoal levava lá, a tecnologia era tão alta e trazia tantas comodidades que o homem tinha deixado sua característica de “erectus”, será que esse é nosso destino mesmo? Se a gente pensar que faz tempo que a gente não sai do sofá para trocar o canal da TV ou para tocar uma música, pelo menos isso nos faz pensar bastante, ainda mais agora que posso escrever esse post no sofá enquanto as crianças assistem a TV. O pessoal hoje está com a idéia de que você pode estar de alguma forma presente em qualquer lugar, mas nos faz esquecer da nossa ausência em nosso próprio lugar. Ouvi anteontem uma entre vista muito boa do Fermi Project com Shane Hips , um publicitário que se tornou pastor menonita nos Estados Unidos, ele não usa celular, pensa que, além de viciar, tem a capacidade de desencarnar a pessoa de um lugar, isto é, quando você está almoçando com alguém e o telefone de seu amigo toca, ele não está mais no almoço com você, ele está com outra pessoa em algum outro lugar, quando o exemplo de Cristo é totalmente o contrário, que é a encarnação, estar lá, presença. Tem um livro dele que havia ouvido falar (The hidden Power of electronic culture) que afirma que a adoção de uma tecnologia não muda somente a forma como fazemos alguma tarefa, mas até nossa forma de ser, na entrevista, ele falou de forma bem interessante que os Amishes tem aquela forma bastante radical de ser, mas eles só adotam uma certa tecnologia quando sabem suas implicações na vida da comunidade, é o tipo de coisa que a gente sequer pára pra pensar. Uma coisa que pensei foi o que essa profusão de MP3 trouxe a nós, você entra em um ônibus e não tem mais tanta conversa, cada um no seu quadrado (inclusive eu) escutando sua programação feita sob medida, cheguei a escrever um post com uma observação de um cara a respeito dessa geração IPod com outras implicações sobre esta tecnologia. Aí você olha para o filme e não acha tão absurdo quando você vê os caras que não olham sequer para o lado quando contam com um monitor que mostra todos com quem você está falando, mesmo que ele esteja do seu próprio lado.

Aí tem a aventura bastante legal e a amizade entre os robôs, tudo para entendermos que não há plano B, é o que tenho visto com várias coisas que Deus estabeleceu (igreja, família, cruz etc), cedo ou tarde, de uma forma ou outra, a gente acaba entendendo essa grande lição.

E 2008, como foi?

De repente chegamos ao final de 2008, desde que comecei meu blog, tenho colocado algumas coisas que tem me marcado em cada ano, como esse final de ciclo me dá uma boa oportunidade para rever para onde a vida tem caminhado, estes posts tem servido bem para essa revisão, eu costumava listar os livros que mais gostei, mas li somente 6 livros este ano, então espero melhorar essa performance, os melhores filmes você vai ver no post abaixo a respeito dos prêmios que ganhei. vamos lá:

Renovatio Café – Comecei o ano fuçando no Joomla e chamando um pessoal para colaborar com um site que serviria de estímulo para a tal de conversa emergente, lançamos o site no final de fevereiro e este tem me dado muito trabalho e muita satisfação em conhecer gente legal e saber o que Deus tem feito de novo aqui no Brasil. Com a colaboração e envolvimento do pessoal, o site já tem uma cara bastante própria, já tem um conteúdo realmente interessante que tenho toda firmeza em indicar, além disso, o site me deu a oportunidade de conversar pessoalmente com um pessoal muito legal que antes só conhecia pelos livros e ações na internet e que geraram entrevistas muito interessantes como Tom e Christine Sine, Spencer Burke, Rubens Muzio e o Mark Scandrette (cuja entrevista devo lançar nas próximas semanas).

Visita do Spencer Burke a São Paulo – e é como falei, em um momento me inspirava com o site The Ooze desejando um dia ter um site igual aqui no Brasil e em outro, estou conversando com o próprio Spencer Burke em minha casa. Sua visita coincidiu com o dia do meu aniversário, com ele promovemos uma conversa muito boa com a turma da conversa emergente de São Paulo a qual deixamos seu registro no Renovatio Café, e levantamos várias possibilidades de projetos para o futuro juntos. Foi um final de semana realmente intenso e marcante.

Perguntas que fazemos ao travesseiro – Estava com este projeto em mente há bastante tempo e com a ajuda do Sandro Baggio e o pessoal do Projeto 242, pudemos fazer quatro encontros muito legais, conversar de forma que fazia há muito tempo não tinha conversas tão gostosas. Já tem gente cobrando mais encontros no próximo ano e isso é bom!

– Meu carro – precisei trocar o carro esse ano, não troquei a marca, somente troquei por um outro “zero”, essa compra foi relevante porque afetou todo meu orçamento até 2010, fora meu apartamento, nunca fiz um financiamento tão grande, isso meio que me incomoda, mas apertamos o cinto e desfrutamos o carro.

– Os prêmios do Estadão – Se de um lado, o dinheiro está mais curto, de outro, recebi graça em ganhar vários ingressos do meu jornal para diversão da família, em uma promoção ganhei seis pares de ingresso para cinema, fazia muito tempo que não assistia tantos filmes que eu queria, e nessa série de “nunca na história dessa família” ganhamos ingressos para ir ao circo e ao teatro. Isso fora nossas visitas ao Parque da Mônica, próximo no final dessa semana e nossa oportunidade de voltar ao Hopi Hari nas próximas férias, a nossa primeira vez, em julho, foi por nossa conta.

– O que não deu tão certo – à medida que as tentativas implicam risco de sucesso assim como de insucesso, é interessante lembrar o que não deu tão certo esse ano, pelo menos tentei, posso citar então o Projeto Mandaqui, meu desejo em aprender a cozinhar e reunir o pessoal para cafés no Starbucks às quartas feiras, estes dois últimos ficam para 2009.

Se você gosta destas retrospecitvas, veja outras:

E tem as minhas dos últimos anos, talvez até tenha começado alguns da mesma forma:

Porque Ateismo?

Hoje tive uma tarde muito produtiva, consegui terminar depois de bastante tempo “The Twilight of Atheism: The rise and fall of disbelief in the modern world” de Alister McGrath, a demora se deveu mais a questões de organização de leitura do que ao nível do livro. McGrath escreveu também uma resposta a Richard Dawkins em seu último livro, ambos publicados em português, mas preferi encomendar um livro mais generalista a respeito do movimento.

O autor mostrou-se bem organizado, detalhou de forma bem inteligível a origem de muitos movimentos ateus relacionando-os sempre na história geral e história do cristianismo.

Uma proposta interessante do autor foi relacionar a fé (ou a ausência dela) ao imaginário das pessoas, tanto movimentos cristãos ou ateus cresciam à medida que tinham suporte da arte para alimentar o imaginário das pessoas e solidificar a cultura. Outra proposta do autor foi relacionar o crescimento do ateísmo aos momentos em que a religião cristã estava mais ligada ao poder opressivo local, o que me fez pensar frequentemente na era Bush e nos lançamentos de livros ateus tão famosos:

“Onde a religião é usada para oprimir, confinar, privar e limitar, o ateísmo era visto como a oferta à humanidade de uma visão generosa de liberdade. mas onde a religião trabalhou em se basear nos corações e mentes das pessoas simples, é sensível à suas necessidades e preocupações, e oferece a eles um futuro melhor, qualquer crítica atéia vai parecer com menor credibilidade. Os crentes tem que estar cientes que, por estranho que possa parecer, são eles que terão o maior impacto no futuro do ateísmo”

Teve dois capítulos que chamaram bastante a minha atenção e estão bem ligadas à proposta emergente, um deles (Disconnection from the Sacred: Protestantism and Atheism), neste capítulo, o autor liga o ascetismo do culto Protestante ao desenvolvimento do ateísmo, engraçado não é? Mas ele fala que à medida que os reformadores protestantes aboliram todo tipo de símbolo, ritual e arte do culto e limitou a experiência com Deus somente à leitura e meditação da Palavra de Deus, a fé perdeu força por estar estritamente ligada a este racional, antes o autor descrevera um momento que o ateísmo mesmo teve auxílio de romances e poesias que povoaram o imaginário do povo, ao lado disso, o autor citou o movimento pentecostal como chave para revitalização do Cristianismo. Outro capítulo que valeu a pena ler, foi “Postmodernity: Atheism and Radical Cultural Change”, onde o autor descreve algumas bases do pensamento moderno e o aparecimento do pós-modernismo.