Correndo na rua

Uma coisa muito legal de corrida na rua, é que correr na rua implica que você passe pelas ruas. Muitas ruas que outrora você passa de carro ouvindo rádio e preocupado com o trânsito à frente, agora você tem a oportunidade de passar em uma velocidade bem menor (às vezes nem tão menor assim), e também tem a oportunidade de sentir a textura da rua (conhecer melhor os buracos que você passa), e ver o que há ao redor de um ângulo muito diferente. E é isso que dá o charme de várias maratonas ao redor do mundo, onde você pode passar por lugares muito conhecidos. As grandes cidades do mundo fazem suas maratonas como uma forma das pessoas verem e sentirem o que há de mais bonito nelas, toda vez que vejo alguma foto da maratona de Roma, vejo os corredores à frente do Coliseu. Como não posso falar nada de maratona posso falar que entrar no meio da Av. Paulista, por exemplo, depois de trilhar 14,5 Kms de São Silvestre foi para mim uma emoção muito grande.

Já corri três vezes no Minhocão, e embora não ache o melhor lugar do mundo para correr, pois é um lugar fechado demais para bater algum vento para refrescar, por outro lado é bem legal, ver o pessoal nas janelas dos apartamentos vendo os corredores passar, como minha velocidade ainda não é tão grande, esse ainda é um prazer bem interessante destas corridas. Por isso que correr essas provas que a prefeitura fez foi bem interessante também, minha esposa fala que uma das coisas que ela pensava era onde acabavam as ruas que ela passava, e onde outras ruas levavam, e foi uma oportunidade rara de conhecer algumas destas ruas e de correr em algumas ruas do Perus, do final da Inajar de Souza na Freguesia do Ó e da Casa Verde e matar a curiosidade em ver a vida por trás de toda paisagem bonita ou feia que se veja.

Nós como caçadores de corridas baratas, corremos 15 Km neste último final de semana em Barueri, tive essa mesma experiência, embora hajam algumas ruas que não são tão bonitas assim, foi legal passar nessas ruas e ver o pessoal em casa vendo a gente passar, alguns esperando todos os corredores passar para sair, ir à igreja, passar à frente de uma Igreja Presbiteriana Independente aberta para Escola Dominical indiferente ao que acontecia, uma igreja Deus é Amor meio vazia instalada numa garagem com uma senhora orando no púlpito e um cachorro no corredor entre as cadeiras. Coisas que não via há muito tempo, foi um cenário que mostra a simplicidade da vida que a gente muitas vezes despreza no dia a dia.

Cadê minha locadora?

No começo das eras, meu pai comprou um video cassete da mitsubishi e minha idéia de locadora era a video norte que tinha inaugurado no final da Avenida Nova Cantareira (hoje é uma escola de inglês), tinha que enfrentar 20 minutos de ônibus até lá, mas era a única locadora decente da região. A Video Norte começou a crescer e a aparecer em vários pontos da Zona Norte (e acho que até fora da Zona Norte, se não me engano), e à medida que me mudava, tinha um Video Norte perto para alugar uma fita, algum cartucho do Master System, depois do Mega Drive, e ultimamente um DVD.

Depois, cheguei a ser sócio de uma Video Norte na Av. Nova Cantareira ao lado do Arcos (hoje é uma loja de móveis), depois de uma unidade no Posto da Av. Santa Inês, fora isso tinha uma outra unidade na Av. Voluntários da Pátria, hoje estas duas unidades fecharam e estão vagas e fiquei sem locadora, tinha três carteirinhas da Video Norte na carteira e hoje não servem para nada. Nos últimos anos eu não alugava muito filme, recorria ao Pay per View da Net quando o tempo dava, mas quando tinha que utilizar um filme específico para algum encontro, era para eles que recorria, talvez meus hábitos atuais refletiam o por quê deles fecharem. Ia escrever um post como Video Norte in memorian mas vi que eles ainda tem algumas unidades em Santana, Guarulhos e Freguesia do Ó, boa sorte a eles!

Só penso agora em um plano B para quando precisar de um DVD na próxima vez.

Sem pânico, nem ignorância

Como pai, tenho acompanhado de forma muito apreensiva esta escalada do H1N1, tenho lido tudo que posso, se acontecer alguma contaminação aqui perto, acho que tenho que ter algum plano imediato de ação, afinal, pelo que tenho visto, do pessoal que morreu até agora, me parece que foram casos em que a ação não foi tão imediata.

Gostei bastante do que vi em dois posts publicados hoje, um do Andrew Jones: Swine flu and a calm, reasonable, rational Church (Gripe suína e uma igreja calma, rasoável e racional) Andrew nos chama à atenção a respeito de um pânico que está se tornando desproporcional e quem pode estar se beneficiando de tudo isso, tem outro post do Eugene Cho”our church’s response to the H1N1 – swine flu” que publicou as providências que ele está tomando em sua igreja, depois de ver 6 escolas fechadas no estado onde há 7 casos confirmados (Washington), serenamente, ele exorta a igreja a não cair em nenhum dos extremos, o pânico e a ignorância. É um momento que a gente precisa de serenidade para lembrar a todos o que realmente está acontecendo

Lembrei daquele dia que, depois que o PCC atacou uns postos policiais, começamos a ouvir de tudo quanto é lado informações de bandos que estavam metralhando estações de trem, de que a polícia estava aconselhando a todos ficarem em casa etc. No dia acabei voltando ás 2 da tarde perplexo em ver o medo simplesmente esvaziar a cidade, quem lembra dos jornais mostrando a Praça da Bandeira e o Anhangabaú totalmente vazios sabe o poder que o pânico tem para mudar o comportamento de uma população inteira!

É realmente lamentável ver tanta gente morrendo por esta doença, assim como sempre acho realmente lamentável ter visto tanta gente morrendo no Rio e na Bahia por Dengue, oro para que as famílias afetadas tenham o consolo do Espírito Santo assim também para os que estão preocupados com seus amados enfermos. No entanto, precisamos nos ater aos fatos, aguardar como a doença vai se alastrar e agir quando necessário, cuidar da saúde e observar bem o que estamos levando á boca e aos olhos. E se você quer realmente aplicar sua fé nesta situação, veja o que a Christine Sine falou também: N1N1 Swine Flu – What Can Christians Do?

Segunda corrida

foto-00092Aí estou eu meio detonado depois dos 5 Kms da Batavo, a prova foi na USP, mas em um circuito bem diferente da Corporate, que corri em agosto do ano passado. Tinha uns aclives a mais e o sol apareceu com toda a vontade (começamos com 28C e terminamos com 32Cs)! Foi uma manhã muito gostosa, pude correr com mais 14000 pessoas que formavam uma paisagem muito bonita, quando se via na reta todo o pessoal á frente cuidando da saúde e mostrando boa vontade.

Por causa dos 5 Kms do ano passado, estava pensando em completar o percurso em 42 minutos, como na semana passada, pude completar com um amigo, os mais ou menos 5 quilômetros na casa dos 41 minutos, já melhorei minhas perspectivas para 40 minutos. Pude iniciar os primeiros 750 metros com uma pequena corrida e parti para os aclives com uma caminhada com uma passada mais apertada, depois da água nos 2,5 quilômetros, descemos com mais uma corrida e pude fazer os últimos 100 metros com aquele sprint, foi uma surpresa olhar para o relógio marcando 39:00:90, melhor do que previra, os batimentos cardíacos fecharam na média de 188, por isso mesmo, passei o restante do domingo um caco, mas disposto a voltar a mais caminhadas ainda no meio da semana.

Nesta edição, levei um amigo que ficou bastante entusiasmado em participar, na próxima, as mulheres já estarão incluídas.

A TV não é o inimigo

Estou repensando minha relação com a TV.

A TV é importante pra mim. Eu cresci assistindo à TV, vi muita coisa boa, como muita coisa ruim, como muita coisa que não acrescentou em nada, é difícil não ver uma casa que não tenha uma TV bem posicionada em casa, e queira ou não, o relacionamento com a TV é uma escolha muito importante que toda família faz. Me marcou bastante quando estávamos na casa do Mark Scandrette, ele iria sair e deixar a casa com a gente, e falou que se a gente quisesse ver alguma TV (o que seria bem interessante ver como era lá em San Francisco), mostrou a TV que estava no chão, com a tomada enrolada.

Depois que assinei a uma TV, me libertei das novelas, ontem cheguei a assistir uma parte do final da “Favorita”, mesmo não assistindo um único capítulo, pelas conversas que se tem ao redor e pelas manchetes que você vê no UOL, dava até para entender o que acontecia, mas é engraçado pensar que quando uma novela começa, passando mais um tempo, você se lembra bem pouco do que a última novela falava, a penúltima, você não lembra mais nada, vão-se as histórias, ficam os valores. Saindo do mundo das novelas, chegou uma época que eu tinha uma grade semanal inteira dos seriados que passavam na TV, hoje estou meio perdido, ainda não consigo mas acompanhar nenhum deles como acompanhava antes.

A TV dá realmente um momento de descanso pra gente, eu me divirto muito com alguns programas, o problema é pensar o quanto ela pode ser central na minha vida. Quando a gente começa a ter algum propósito na vida, tem coisas que a gente realmente tem que repensar, se essas horas de TV são só distração, essas horas são também oportunidades perdidas.

É fácil meter o pau na TV como o inimigo da família, mas é preciso ter em mente que a TV é só o que escolhemos para nos entorpecer, pode ser a Internet, algum livro ou mesmo algum video-game, o inimigo mesmo é a nossa preguiça em colocar uma direção aos nossos dias e estas horas.

Se quero alguma coisa diferente para este ano, tenho que utilizar melhor o meu tempo muito difícil de se aproveitar, se quero que as coisas caminhem diferente, tenho mesmo que escolher o que fazer, se for assistir a um filme ou a algum programa interessante, OK, se for para ligar a TV para ver o que está passando, são horas que começo a despejar no ralo.

Nesses últimos dias, assistimos a alguns programas juntos (Phyneas e Ferbes é o campeão da família), mas desligamos a TV para a refeição e não faço muita questão de ligar novamente, só se tenho alguma coisa mais específica para assistir. Como o Phyneas mesmo faz, quero perguntar toda noite: o que vamos fazer hoje?

Sei também que isso não é só na minha casa, ontem a noite, o Brasil parou para ver o que iria acontecer com a Flora e a Donatella, daqui a seis meses, pouquíssimos vão lembrar do que aconteceu com elas. O que será que esse entorpecimento geral tem gerado? Como será que podemos propor algo melhor para eles?

Inspiração para este ano

Esta manhã, dois links mexeram comigo:

Eugene Cho – Eugene é o pastor da Quest, uma comunidade multiracial de Seatle que toca também a Q Café, um sonho de café missional na cidade, ele postou ainda hoje “thank God for George“, um agradecimento a um amigo seu que o acompanha desde quando começaram as primeiras reuniões para início da Quest. O que me marcou, foi ele lembrar da experiência de fazer os primeiros encontros quando ele distribuía vários convites e o preocupava saber se alguém viria. É o tipo de coisa que já passei várias vezes, promover alguns encontros e não ter a menor idéia de quem vai aparecer e a tensão de saber com que consideração as pessoas estão vendo estes momentos que você planeja com bastante carinho. Não é o tipo de atividade para quem não queira se machucar, não dá para promover estes encontros sem entrega. É um risco realmente inevitável, mas, considerando o que está em jogo, necessário, e vendo o que aconteceu somente 8 anos depois, animador.

Mennohauss – Descobri essa comunidade, pois o Renovatio Café foi linkado por eles e recebemos ontem a primeira visita, eles definiram a Mennohauss como uma “tradição ocasional de grandes amigos, comida saborosa, conversas significativas, arroz com feijão comunitários e aprendizado entre gerações”. Não deu para saber muito deles logo de início no blog deles, pois ainda são poucos posts, não sei se tem brasileiros no meio, por causa de um dos líderes ser chamado de Flávio e de terem arroz com feijão, mas creio que estão em um início de jornada, e já fizeram algumas coisas bem interessantes.  Eles me lembraram a Small Boat Big Sea, da Austrália, que gostam de marcar a celebração deles com boa comida, dá realmente uma cara muito generosa aos encontros.

É o tipo de coisa que me joga de joelhos para falar pra Deus, aí falo tantas coisas desde “ahh… de novo!” até “como? como? como? como?”. Quem já lê meus posts há mais tempo, já sabe o quanto tem dias que sou sensível a isso tudo. Sei lá, vamos ver o que a gente faz com esses sonhos todos!

City walking

Sábado passado tentei aproveitar a noite para passear com a família para ver as luzes de natal da cidade, achei melhor ir neste sábado do que o próximo quando estaremos às vésperas do natal, não adiantou muito, pois o trânsito estava bem complicado já a partir da subida do Pacaembú para a Dr. Arnaldo, de qualquer forma, ao contrário de outros anos que somente passava pela Paulista de carro, resolvi parar e passear com a turma. Foi demais!

As luzes estão realmente muito bonitas, o clima do pessoal passeando era muito gostoso, o parque Trianon está realmente lindo e o momento se tornou ainda mais especial quando pudemos ver um pequeno coral se apresentando. A grande pena foi não pegar o banco Real aberto, pois iria abrir à noite a partir de hoje (planejei antecedência demais, acho). Gosto muito de andar na Av. Paulista, lógico que com o Natal o clima era muito melhor, mas nada como dar uma caminhada na cidade com a família.

Acho que o ato de caminhar na cidade nos dá meio um sabor de desfrutar a cidade, toda viagem que faço com a família a gente sempre faz aquela questão de “dar uma volta”, parar em um café, etc. O difícil é fazer isso em São Paulo, principalmente à noite. Por causa disso que acabei me tornando aquele “rato” de shopping center, e acho que a alegria que tinha e que via no rosto de muita gente naquela noite, já mostra que a comodidade do passeio no shopping center não resolve este gosto de se desfrutar a cidade em que se está.

Não tirei fotos, me arrependia constantemente pois a todo momento poderia encontrar gente tirando foto de alguma coisa naquela noite. De qualquer forma os momentos ficaram na memória, minha e das crianças.