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Deus é Brasileiro?

Gostei do filme, é bem leve com uma fotografia bem caprichada, lógico que no meio evangélico o filme só pelo nome já é polêmico, olhando pelos óculos protestantes é fácil encontrar desvios doutrinários próprios da cultura religiosa popular brasileira, afinal, Cacá Diegues é cineasta, não teólogo ou pastor, mas é legal refletir com alguns erros e acertos conceituais do roteiro, gostaria de compartilhar rapidamente três coisas que achei interessantes:

Bola fora:

Deus é só?: no filme, Deus levou uma dura porque não ligava para as pessoas pois não sabia o que era viver junto com outras pessoas. Acho que aqui está um dos maiores equívocos do filme, a Bíblia nos mostra bem o contrário. Começa com Gênesis, pelas ordens “façamos, façamos e façamos…”. João introduz Jesus Cristo desse mesmo ponto: “ no princípio era a palavra e essa palavra (o Filho) estava com Deus…” e mais adiante com a oração de Jesus para que NÓS sejamos um como ele é um com Deus. É muito difícil encontrar um Deus só, que seja de fazer as coisas sozinho, pelo contrário, ele dá o maior exemplo de grupo a ponto de vê-lo como um em três e um Deus desejoso de estabelecer parcerias com o homem. Como imagem e semelhança Dele, nosso desejo de viver em grupo é grande e só é sanado completamente se conhecermos como Deus faz isso e deixá-lo realizar sua unidade em nós. O negócio é bem o contrário, nós é que precisamos saber viver em grupo com Deus.

Bolas dentro:

Deus e o ateu: tem gente que até pode ver Deus, mas se não tiver coração aberto para deixá-lo mudar sua vida conforme Ele quer, não adianta Ele descer em pessoa e fazer tudo quanto é milagre. O problema não é intelecto, Deus deixou suas digitais espalhadas por todo o mundo de forma que todo que o busca encontra. Paulo tem um bom tratado na carta que escreveu aos Romanos (Rm 1:19 até o final). O problema é ter coração aberto para ouvir a Deus e deixá-lo nos moldar e trabalhar conosco, ter humildade para não ser mais o dono do nosso nariz e disposição para mudar o que for necessário em nossa vida.

Mais milagres?: é interessante notar o quanto as pessoas dependem de milagres para reconhecer a ação de Deus, igrejas exigem milagres para reconhecer que Deus está com elas, será que o ordinário não é o suficiente? Será que a história de Jesus Cristo e suas evidências da ressurreição e cuidado não são o suficiente? Acho que o questionamento de Deus no filme a respeito da exigência de milagres foi uma boa sacada do diretor, as imagens “ordinárias” do por-de-sol e da natureza são um bom contraponto disso. Os céus declaram as obras de Deus, já dizia Davi