Porque Ateismo?

Hoje tive uma tarde muito produtiva, consegui terminar depois de bastante tempo “The Twilight of Atheism: The rise and fall of disbelief in the modern world” de Alister McGrath, a demora se deveu mais a questões de organização de leitura do que ao nível do livro. McGrath escreveu também uma resposta a Richard Dawkins em seu último livro, ambos publicados em português, mas preferi encomendar um livro mais generalista a respeito do movimento.

O autor mostrou-se bem organizado, detalhou de forma bem inteligível a origem de muitos movimentos ateus relacionando-os sempre na história geral e história do cristianismo.

Uma proposta interessante do autor foi relacionar a fé (ou a ausência dela) ao imaginário das pessoas, tanto movimentos cristãos ou ateus cresciam à medida que tinham suporte da arte para alimentar o imaginário das pessoas e solidificar a cultura. Outra proposta do autor foi relacionar o crescimento do ateísmo aos momentos em que a religião cristã estava mais ligada ao poder opressivo local, o que me fez pensar frequentemente na era Bush e nos lançamentos de livros ateus tão famosos:

“Onde a religião é usada para oprimir, confinar, privar e limitar, o ateísmo era visto como a oferta à humanidade de uma visão generosa de liberdade. mas onde a religião trabalhou em se basear nos corações e mentes das pessoas simples, é sensível à suas necessidades e preocupações, e oferece a eles um futuro melhor, qualquer crítica atéia vai parecer com menor credibilidade. Os crentes tem que estar cientes que, por estranho que possa parecer, são eles que terão o maior impacto no futuro do ateísmo”

Teve dois capítulos que chamaram bastante a minha atenção e estão bem ligadas à proposta emergente, um deles (Disconnection from the Sacred: Protestantism and Atheism), neste capítulo, o autor liga o ascetismo do culto Protestante ao desenvolvimento do ateísmo, engraçado não é? Mas ele fala que à medida que os reformadores protestantes aboliram todo tipo de símbolo, ritual e arte do culto e limitou a experiência com Deus somente à leitura e meditação da Palavra de Deus, a fé perdeu força por estar estritamente ligada a este racional, antes o autor descrevera um momento que o ateísmo mesmo teve auxílio de romances e poesias que povoaram o imaginário do povo, ao lado disso, o autor citou o movimento pentecostal como chave para revitalização do Cristianismo. Outro capítulo que valeu a pena ler, foi “Postmodernity: Atheism and Radical Cultural Change”, onde o autor descreve algumas bases do pensamento moderno e o aparecimento do pós-modernismo.

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