
Sempre digo que jogar na loteria é comprar um vale-sonho: você adquire o direito de imaginar uma nova vida se ganhar o prêmio. Curiosamente, participar de um processo seletivo pode despertar o mesmo tipo de fantasia — especialmente quando você está precisando muito de uma nova oportunidade. A mente voa: como será trabalhar em outro lugar, como seria a rotina, os colegas, o salário, o desafio?
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Acho que nunca falei tanto sobre trabalho neste blog, mas sigo com o que prometi no último post — começando, desta vez, pelo fim
Estar de olho no mercado
Sempre fui atento ao mercado, mesmo sem mudar muito de emprego ao longo da vida. Me considero abençoado por conseguir participar, em média, de uma entrevista por mês. Por isso, acumulei experiências bem curiosas. A seguir, compartilho algumas que me marcaram.
Cobrando Celebridades
Essa é um “bônus”, já faz alguns anos, mas foi, sem dúvida, inusitada. A vaga era para trabalhar com contas a receber de uma empresa que assessorava milionários na movimentação de patrimônio para paraísos fiscais. Entre os clientes, estavam jogadores de futebol e celebridades. O sigilo e a discrição eram mandatórios — e disso eu entendo.
Fiz a entrevista inicial e achei que tinha ido bem. Mas não fui chamado para a próxima etapa. O recrutador me explicou: a vaga foi direcionada a uma mulher para atender à política de diversidade da empresa. Na época, eu contava com o suporte de uma assessora, que comentou: “Agradeça por não ter passado. Esse negócio parece meio nebuloso.” E deixei pra lá.
Um Sonho do Caribe
Fui contatado por um headhunter internacional para liderar a área de cobrança de uma telecom que atua praticamente em todo o Caribe. Logo no início do processo, tive que escolher entre morar na Jamaica ou em Trinidad. Foi aí que a imaginação voou: como seria trabalhar com uma empresa presente em ilhas como Barbados, Antígua, Dominica e Aruba? Cada país uma ilha. Cada visita, um novo voo.
No início, escolhi a Jamaica — cara, mas vibrante. Já minha família escolheu o Brasil mesmo (rs). Talvez essa aventura caribenha tivesse que ser solo, com passagens patrocinadas para matar a saudade de casa.
Será que Me Ajusto?
Essa foi para uma empresa de cigarros. Salário alto, ótimos benefícios e um processo muito profissional, do início ao fim. A dúvida era interna: como vibrar com o crescimento de algo que eu não acredito? Como torcer para que a regulamentação afrouxe e permita a entrada de cigarros eletrônicos premium no Brasil?
Sempre tive orgulho dos produtos das empresas em que trabalhei. Nesse caso, fiquei dividido. Fui até o fim do processo, fui bem avaliado, mas a vaga acabou com um concorrente que já atuava no setor. Confesso: saí aliviado.
Cenas do Próximo Capítulo
Essa foi para uma construtora americana. A vaga envolvia contas a pagar e receber — ironicamente, é exatamente o que faço hoje. A empresa tinha boa presença no mercado, mas ninguém da equipe parecia saber que havia um processo seletivo acontecendo. Em breve, conto mais sobre esse capítulo (spoiler: foi o início de um golpe).
️ Fechando o ciclo
Dizem que experiência é aquilo que você ganha quando não consegue o que queria. Eu diria que, nesse caso, ganhei histórias — e até algum orgulho. Foram meses de busca, de tentativas, de aprendizado. E estou aqui, inteiro e com mais bagagem do que antes.
Ficaria honrado se você também compartilhasse suas histórias de processo seletivo. Me conta: que entrevistas malucas você já viveu por aí?