Um jogo no bairro e uma grande surpresa

Como um tabuleiro simples ajudou adolescentes a se abrirem sobre seus desafios

Ano passado, colaborei com um projeto da ONG PIPA, em um bairro em situação de vulnerabilidade na zona norte de São Paulo. Para preencher a atividade de algumas das noites, resolvi criar um jogo. Montei um tabuleiro simples, misturando elementos de vários jogos que já vendi ou acompanhei pela Ludosfera.

O tabuleiro simulava o ambiente de um bairro comum, com várias entidades conhecidas — escola, biblioteca, igreja, disk pizza… O objetivo era simples: os participantes precisavam passar por esses lugares, na ordem que quisessem, para reunir kits e preparar uma festa de aniversário. Achei que isso já seria o bastante. Como bom jogador, sei que basta o tabuleiro, as regras e as peças para criar um ambiente lúdico envolvente.

Mas as noites do projeto tinham um propósito maior: criar um espaço seguro de convivência e apoio psicológico. A psicóloga que liderava o grupo percebeu no jogo uma oportunidade de trabalhar os conflitos e desafios que os adolescentes da região viviam. Confesso que fiquei em dúvida se abrir o jogo para esse tipo de reflexão funcionaria. Mesmo assim, resolvemos tentar — criamos personagens com perfis diferentes, adicionamos situações específicas inspiradas na realidade deles e iniciamos a partida.

💬 O resultado me surpreendeu.
Eles se envolveram de verdade, se divertiram e compartilharam experiências reais — situações perfeitamente plausíveis no contexto em que vivem.
O jogo durou dois encontros, com dez rodadas para cumprir todos os desafios, e acabou servindo como uma ferramenta poderosa para reconhecer as dificuldades e também o quanto um simples ambiente lúdico pode abrir espaço para conversas significativas.

Essa experiência me marcou. Sempre acredito que, quando nos sentamos à mesa para jogar, criamos momentos diferentes, capazes de nos aproximar das pessoas de um jeito que raramente acontece no cotidiano.
Existe até um conceito que define bem isso: o “ambiente lúdico”.

Quando entramos em um jogo, passamos para outro mundo — com suas próprias regras e lógicas — e é justamente aí que mora a mágica.
Nesse espaço, podemos revelar mais de quem somos e viver experiências transformadoras.


Essa experiência me lembrou porque gosto tanto de criar e jogar.
Mais do que entretenimento, o jogo é um espaço para escuta, expressão e conexão.
E é esse tipo de descoberta que quero continuar compartilhando por aqui.

Estou promovendo este jogo em PDF no LogosCreative.io, se quiser ver mais, passa lá!

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